E SE O RIO

que corre dentro de mim, de baixo para cima,
fosse o mesmo que corre
à volta do mundo num abraço que inventei.

E se nunca morresse
a água, nem a sede,
nem a palavra
que nasce em gota
e solta livre cada dor e cada traço de vida.
E se eu me acorrentasse a esta liberdade
e não voltasse a sair do leito quente do meu rio.
Tudo o que te digo é irrelevante perto do calor que faz aqui.
E as palavras
só refrescam a verdade da água a passar.
Tudo o que te digo
sou eu própria,
sem que saiba, irrelevante
como um seixo num rio que nem é meu
nem é inventado.

2 comentários:

ana disse...

que bom ler e reler o que escreve...
.....não tendo muito para acrescentar....sobre o que vai dando a conhecer da sua escrita dou muita força para que nos vá dando sempre este presente para que possamos mergulhar um pouco nesse caminho da escrita
beijocas de amiga

Ana disse...

que bom saber que me lê. gosto muito da nossa mãezinha e a sua opinião é muito importante. obrigada. beijinhos